Esofagite Eosinofílica (EoE): O Papel dos IBPs no Tratamento e Panorama Atual
Doença imunomediada crônica que pode evoluir para estenose esofágica. Entenda o diagnóstico e por que os IBPs são considerados terapia de primeira linha.

Imagem: Adobe Stock
A Esofagite Eosinofílica (EoE) tem se tornado uma condição cada vez mais diagnosticada na prática clínica gastroenterológica. Caracterizada como uma doença imunomediada crônica, ela impacta diretamente a qualidade de vida dos pacientes, podendo evoluir de um quadro inflamatório para complicações estruturais graves, como a estenose esofágica.
O que é a Esofagite Eosinofílica?
A EoE ocorre devido a uma resposta imunoalérgica (predominantemente a antígenos alimentares) que recruta eosinófilos para a mucosa do esôfago. Esse infiltrado inflamatório causa danos estruturais e sintomas que variam conforme a idade:
Em crianças
- Recusa alimentar
- Náuseas e vômitos
- Atraso no crescimento
Em adolescentes e adultos
- Disfagia (dificuldade para engolir)
- Impactação alimentar
- Sensação de entalo
A EoE em números
casos por 100.000 habitantes (prevalência)
Meta-análise global com mais de 288 milhões de participantes
casos por 100.000 habitantes (incidência anual)
Meta-análise global com mais de 288 milhões de participantes
A doença afeta majoritariamente homens jovens com histórico de atopia (asma, rinite ou eczema).
Diagnóstico: sintomas e histopatologia
O diagnóstico de precisão da EoE baseia-se em um tripé fundamental:
- Sintomas clínicos
- Achados endoscópicos
- Análise histológica
Dra. Vera Ângelo destaca: a importância da EDA
Na Endoscopia Digestiva Alta (EDA), a observação criteriosa busca por sinais clássicos da doença: edema, sulcos lineares, exsudatos esbranquiçados e anéis esofágicos.
Confirmação histológica
Requer o encontro de pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento (CGA) na biópsia esofágica. A confirmação exige biópsia das áreas de pior aparência do esôfago, descartando outras causas de eosinofilia.
O papel dos IBPs no tratamento: além da supressão ácida
Embora os Inibidores de Bomba de Prótons (IBPs) sejam conhecidos por reduzir a acidez gástrica, sua eficácia na EoE vai muito além, apresentando efeitos anti-inflamatórios diretos:
1. Inibição da eotaxina-3
Bloqueiam a expressão desta proteína, que é a principal responsável por atrair e recrutar eosinófilos para o tecido esofágico.
2. Restauração da barreira epitelial
Ao elevar o pH do refluxato, os IBPs ajudam a fechar os espaços intercelulares dilatados, impedindo a penetração de antígenos alimentares.
3. Ação em citocinas Th2
Reduzem a resposta inflamatória imunomediada por interleucinas como IL-4 e IL-13, centrais na fisiopatologia da doença.
Na prática: pantoprazol magnésico 40 mg
No material analisado, o uso de pantoprazol magnésico 40 mg (duas vezes ao dia) resultou em melhora significativa, levando à remissão clínica e histológica completa em pacientes com disfagia grave.
Outras abordagens terapêuticas
Informação
Caso o paciente não responda aos IBPs, as diretrizes mais recentes (como as da ACG 2025) recomendam as opções abaixo.
- Esteroides tópicos deglutidos (ETDs): uso de budesonida ou fluticasona. Atuam localmente na mucosa com mínima absorção pelo organismo.
- Dietas de eliminação: retirada estratégica de alimentos gatilhos como leite, ovos, trigo e soja, sob supervisão nutricional.
- Terapias biológicas: o dupilumabe é a escolha preferencial para casos refratários ou pacientes com múltiplas alergias atópicas.
- Dilatação endoscópica: procedimento físico indicado especificamente para tratar a estenose (estreitamento) do canal esofágico.
Conclusão e importância da avaliação médica
Doença progressiva
A Esofagite Eosinofílica não deve ser negligenciada. Por ser uma condição progressiva, a detecção precoce e o início imediato do tratamento com IBPs podem evitar a evolução para a forma fibroestenosante. Isso garante que o paciente recupere a funcionalidade do esôfago e sua qualidade de vida, evitando intervenções invasivas no futuro.
Os IBPs desempenham papel fundamental no manejo da EoE, sendo considerados terapia de primeira linha. É essencial avaliar a resposta a esses medicamentos antes de prosseguir para abordagens mais restritivas.
— Dra. Vera Ângelo
Material gratuito
Esofagite Eosinofílica (EoE): o dossiê clínico moderno
Panorama atual: do diagnóstico ao papel transformador dos IBPs no tratamento.
Conteúdo educacional
Esta publicação tem caráter exclusivamente informativo e educativo, respeitando integralmente as normas da Resolução CFM nº 2.336/2023 e o Art. 75 do Código de Ética Médica. O material aqui apresentado reflete o panorama atual da medicina baseada em evidências. As informações aqui contidas não substituem a consulta médica, o diagnóstico ou o tratamento especializado.

Autor
Dra. Vera Ângelo
Formação Acadêmica e Títulos Mestre e Doutora em Patologia pela UFMG. Título de Especialista pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Residência Médica em Gastroenterologia pelo Hospital Felício Rocho. Residência em Clínica Médica/Patologia Clínica pelo Hospital Sarah Kubitschek. Experiência Profissional Responsável Técnica da Clínica NU.V.E.M MEDICINA. Professora Convidada da pós-graduação no Hospital Israelita Albert Einstein. Tutora de treinamentos em doenças funcionais e testes respiratórios. Sócia Titular do Gediib e da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva. Publicações e Livros Doenças Funcionais em Gastrenterologia 2025 (Ed. Rubio). Métodos Diagnósticos e Motilidade Digestiva 2025 (Ed. Rubio). Manual Prático do Teste Respiratório do Hidrogênio (Ed. Rubio).
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