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Biofeedback

Incoordenação abdomino-anal nas desordens da evacuação

Estudo avalia a coordenação abdominopélvica na evacuação. Mulheres com desordens evacuatórias mostram ativação muscular inadequada, sugerindo o uso de biofeedback para melhorar a sinergia.

Por Dra. Eliane Basques·08 de junho de 2026·4 min de leitura
Incoordenação abdomino-anal nas desordens da evacuação

Imagem: Adobe Stock

Defecação é definida como o aumento da pressão intrarretal com relaxamento coordenado do esfíncter anal e músculos do assoalho pélvico. As desordens da evacuação resultam de uma inadequada força de propulsão e/ou relaxamento pélvico debilitado durante a evacuação.

Os músculos do assoalho pélvico funcionam sinergicamente com os músculos abdominais, da parede torácica e diafragma. O esforço excessivo destes músculos durante a evacuação tem sido envolvido nas desordens da evacuação (DE).

A contribuição dos músculos abdominais nas desordens de evacuação não é muito descrita, porém o biofeedback melhora a coordenação abdominopélvica.

Este estudo comparou a ativação dos músculos abdominais e das pressões anorretais durante a defecação em mulheres saudáveis e constipadas. Foi realizado entre março de 2015 e agosto de 2020 e selecionaram 30 mulheres saudáveis e 60 mulheres com critérios de constipação definidos pelo Roma III que não responderam ao tratamento com laxativos. Foi realizada ultrassonografia em repouso e durante manobra de Valsalva, manobra de esvaziamento abdominal e evacuação, durante a realização da manometria anorretal.

Durante as manobras realizadas, a ativação individual dos músculos durante o esvaziamento abdominal, a evacuação e a manobra de Valsalva não foi significativamente diferente entre mulheres saudáveis e com desordens da evacuação. Em mulheres saudáveis que apresentavam tempo de expulsão do balão normal, não houve alteração expressiva na espessura da musculatura abdominal durante a evacuação.

Durante a manobra de contração, houve um aumento da pressão anal, mas não houve aumento da espessura dos músculos da parede abdominal em mulheres assintomáticas; já em mulheres com desordens da evacuação, foi observado um espessamento do músculo oblíquo interno e transverso do abdome nesta mesma manobra. Isso sugere que as mulheres com DE contraem outros músculos quando contraem o esfíncter anal; isto ocorre em mulheres com incontinência urinária e dor lombar.

As ativações dos músculos do abdome foram diferentes em cada manobra: a ativação do oblíquo interno e transverso do abdome foi mais pronunciada durante as manobras de Valsalva e esvaziamento em mulheres saudáveis. Nas mulheres com DE, houve uma maior ativação do músculo transverso do abdome, mostrando que estas mulheres têm alteração da coordenação entre músculos superficiais e profundos do assoalho pélvico.

Foram observadas algumas mulheres assintomáticas com o tempo de expulsão do balão prolongado, talvez por um excessivo esforço com aumento da pressão anal, sem disfunção do assoalho pélvico.

Estes achados sugerem que o biofeedback, por apresentar resposta em 60% dos pacientes, deveria ampliar técnicas para musculatura do abdome e diafragma para uma melhor coordenação abdominopélvica.

Dra. Eliane Basques

Autor

Dra. Eliane Basques

Cirurgiã pediátrica com expertise em manometria anorretal e disfunções do assoalho pélvico. Cofundadora da NU.V.E.M, atua na interface entre gastroenterologia e cirurgia.

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