Summit Belo Horizonte 2026: dois dias de diagnóstico digestivo com Brasil, Paraguai e Bolívia
O que foi discutido no Summit Belo Horizonte 2026?
Nos dias 9 e 10 de outubro, a NU.V.E.M reuniu em Belo Horizonte profissionais do Brasil, do Paraguai e da Bolívia para dois dias de atualização em diagnóstico digestivo, com oficinas práticas de testes respiratórios, manometria, pHmetria e assoalho pélvico, além de sessões sobre Roma V e intolerâncias alimentares.
Dois dias de atualização em diagnóstico digestivo com profissionais do Brasil, do Paraguai e da Bolívia. Veja o que foi discutido no Summit BH 2026.

Imagem: NU.V.E.M Medicina
Nos dias 9 e 10 de outubro, Belo Horizonte recebeu a segunda edição do Summit Belo Horizonte, encontro internacional de gastroenterologia realizado pela NU.V.E.M em parceria com a Adium. Durante dois dias, profissionais do Brasil, do Paraguai e da Bolívia se reuniram em torno de uma pergunta comum: como fazer o diagnóstico digestivo chegar mais longe, com mais precisão.

Quatro eixos, dois dias
A programação foi construída sobre quatro eixos: intercâmbio de experiências entre os países participantes, atualização científica, integração regional e aplicação na prática clínica. A divisão entre os dias seguiu essa lógica. O primeiro foi dedicado aos métodos, com oficinas práticas. O segundo, às atualizações e à discussão de casos.
Primeiro dia: o método na mão
A sexta-feira começou pelos testes respiratórios, com prática supervisionada e interpretação clínica. É o tipo de conteúdo que não se aprende apenas ouvindo: a leitura de uma curva de hidrogênio e metano exige repetição e discussão de casos reais, e foi assim que a sessão foi conduzida.

Na sequência, a manometria esofágica de alta resolução e a pHmetria, com foco na interpretação e nos achados que mudam conduta. A investigação do H. pylori teve oficina prática e discussão sobre diagnóstico.
A doença do refluxo foi abordada à luz do Consenso de Lyon 2.0, que reorganizou os critérios diagnósticos e a forma de classificar os achados. A constipação entrou pelo caminho dos métodos, com manometria anorretal e estudo do trânsito colônico.
O dia ainda teve oficina de assoalho pélvico e uma sessão sobre avaliação da cavidade oral, com halimetria e sialometria, tema que costuma ficar de fora dos encontros de gastroenterologia e que tem relação direta com queixas digestivas.
Segundo dia: rever o que se sabia
O sábado abriu com o Roma V. Os critérios internacionais para os distúrbios da interação intestino-cérebro foram atualizados este ano, dez anos depois da versão anterior, e a sessão tratou justamente do que muda na prática de quem atende.

A doença do refluxo voltou, desta vez pela definição e pela fisiopatologia. Houve sessão sobre técnicas de recalibração laríngea, e as intolerâncias alimentares entraram por discussão de casos, com abordagem nutricional das intolerâncias e da disbiose.
A programação também apresentou a experiência brasileira em Colokids e encerrou com uma sessão de intercâmbio entre os três países, que acabou sendo um dos momentos mais produtivos do encontro.

O que o intercâmbio revelou
Os três países chegaram com realidades distintas. Disponibilidade de equipamento, acesso a exames, perfil de encaminhamento e organização dos serviços variam bastante entre eles. As perguntas clínicas, no entanto, são as mesmas.
Foi nessa constatação que o encontro mostrou seu valor. Um protocolo que funciona bem num serviço com estrutura completa precisa de adaptação em outro contexto, e essa adaptação é conhecimento que não está em artigo nenhum. Ela se transmite na conversa entre quem atende.
Quem conduziu
Participaram da programação a Dra. Vera Ângelo, a Dra. Amanda Araújo, a Dra. Cláudia Utsch, a Dra. Eliane Basques, a Dra. Débora Andrade, a Dra. Juliana Moraes, a Dra. Raíssa Dalat, o Dr. Gabriel Fernandes, a fisioterapeuta Anna Karoline e as técnicas Larissa Simão e Camila Marques. A coordenação científica foi da Dra. Vera Ângelo.
Um encontro como este também depende de quem trabalha nos bastidores. Nosso agradecimento à recepcionista Nazinha e à técnica e gerente Elisangela, que ajudaram a tornar o Summit possível.
O que fica
Encontro científico não termina quando acaba. O que se discute em dois dias volta para o consultório na semana seguinte, em forma de conduta revista, de critério atualizado e de um jeito diferente de olhar para o mesmo exame.

É esse o sentido de uma clínica que também ensina. O método que se aprimora na discussão com colegas de outros países é o mesmo que atende o paciente que chega na segunda-feira.
Juntos, fortalecemos a gastroenterologia na América do Sul.

Autor
Dra. Vera Ângelo
CRM MG: 22284 | RQE: 10411 (Gastroenterologia) RQE: 22736 (Patologia Clínica)
Formação Acadêmica e Títulos Mestre e Doutora em Patologia pela UFMG. Título de Especialista pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Residência Médica em Gastroenterologia pelo Hospital Felício Rocho. Residência em Clínica Médica/Patologia Clínica pelo Hospital Sarah Kubitschek. Experiência Profissional Responsável Técnica da Clínica NU.V.E.M MEDICINA. Professora Convidada da pós-graduação no Hospital Israelita Albert Einstein. Tutora de treinamentos em doenças funcionais e testes respiratórios. Sócia Titular do Gediib e da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva. Publicações e Livros Doenças Funcionais em Gastrenterologia 2025 (Ed. Rubio). Métodos Diagnósticos e Motilidade Digestiva 2025 (Ed. Rubio). Manual Prático do Teste Respiratório do Hidrogênio (Ed. Rubio).
Exame relacionado
Testes Respiratórios
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